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XVIII CBESP celebra 18 anos de história e convoca o setor privado a uma nova era na educação superior

Como crescer sem abrir mão da qualidade? Esse é o desafio central que levou centenas de dirigentes do ensino superior privado ao Rio de Janeiro/RJ do dia 21 a 23 de maio de 2026. O XVIII Congresso Brasileiro da Educação Superior Particular (CBESP) abriu seus trabalhos com o tema “Instituições de Educação Superior Privadas: Uso de Estratégias de Escalabilidade na Expansão com Qualidade”, escolhido num momento em que o setor responde por 80% das matrículas do país, enfrenta uma nova regulação do EAD (ensino a distância) e se prepara para os desafios impostos pelo novo Plano Nacional de Educação (PNE), que vigorará de 2026 a 2036.

O congresso foi aberto na noite desta quarta-feira (21), no Hotel Sheraton, no Rio de Janeiro, com uma Sessão Solene que reuniu mantenedores, reitores, parlamentares e conselheiros do Conselho Nacional de Educação (CNE), além de autoridades locais e representantes de entidades internacionais. O evento segue até sábado (23) com painéis sobre regulação, avaliação, uso de tecnologia e políticas públicas para o ensino superior privado.

“Este não será apenas mais um CBESP”

O secretário executivo do Brasil Educação e diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), Janguiê Diniz, abriu o evento com um discurso que combinou retrospectiva histórica, diagnóstico regulatório e conclamação ao protagonismo coletivo.

Ao recordar que o primeiro CBESP foi realizado em Porto de Galinhas/PE, em 2008, Janguiê ressaltou que o Congresso nasceu de uma parceria com o presidente da Linha Direta, Marcelo Chucre, em um encontro em Goiânia. “Idealizamos o CBESP num baile de casamento”, brincou ele, já no início do discurso, antes de conduzir o auditório a uma reflexão mais profunda.

Com tom assertivo, o secretário executivo do BE revisitou os compromissos da 8ª edição do CBESP, realizada também no Rio de Janeiro, em 2015. O diagnóstico foi desconfortável: boa parte das pautas daquela Carta do Rio de Janeiro ainda persiste. “A principal derrotada pelo fato de estarmos há tanto tempo travando as mesmas batalhas é a educação superior brasileira”, afirmou.

O dirigente destacou a aprovação do novo PNE como marco e convocou o setor a exigir que políticas educacionais tenham continuidade independentemente das alternâncias de governo. “A educação não pode continuar sendo tratada como promessa de campanha”, disse, defendendo estabilidade regulatória e segurança jurídica como pré-requisitos para o avanço da educação superior privada.

No campo regulatório, Janguiê abordou o Decreto nº 12.456/2025, que regulamentou o EAD, como exemplo positivo do diálogo entre setor privado e Ministério da Educação (MEC). Criticou, por outro lado, a possibilidade de exames de proficiência conduzidos por conselhos profissionais, como o Profimed (Exame Nacional de Proficiência em Medicina), por entender que esses mecanismos superpõem competências, geram insegurança jurídica e punem o estudante sem melhorar a qualidade da oferta.

Em defesa dos 80% das matrículas do ensino superior mantidos pelo setor privado, Janguiê foi enfático: “Defender o setor privado de educação superior não significa defender interesses corporativos. Significa defender milhões de brasileiros que encontraram nele uma possibilidade concreta de transformação de vida.”

Ele encerrou com a frase que se tornou sua marca registrada: “firmem o passo, apertem o ritmo e sejam obstinados que dá.”

Nem vilã, nem opressora

O desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, William Douglas, foi o convidado especial da cerimônia solene. Pioneiro na preparação para concursos públicos no Brasil, autor de mais de um milhão de livros vendidos e responsável por palestras que impactaram 1,6 milhão de pessoas, Douglas é um velho amigo do CBESP e também de Diniz, com quem estudou para concursos ainda no início da carreira.

O discurso do desembargador foi marcado por uma honestidade desarmante. Ao saudar os dirigentes presentes, reconheceu que o setor privado responde por 80% das matrículas no ensino superior e que, por isso, 80% da esperança educacional do país está nas mãos das pessoas ali reunidas.

Mas foi além do elogio institucional. O desembargador defendeu que a iniciativa privada não é vilã nem opressora, mas sim um conjunto de empreendedores corajosos que agem onde o Estado não chega. “Pessoas que têm coragem de empreender num país onde é tão difícil empreender”, disse.

Citando o Tio Ben do Homem-Aranha (“com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”) e as palavras de Cristo (“a quem muito for dado, muito será cobrado”), William fez uma convocação aos líderes do setor: que nunca se esqueçam dos estudantes que vêm das comunidades e das favelas. “Vocês cuidam de muito mais do que de negócios. Vocês têm a oportunidade de mudar a vida de muita gente. E peço que nunca se esqueçam disso.”

Tecnologia que vira commodity e a educação que precisa ir além

O talk show de abertura, conduzido pelo próprio Janguiê Diniz com o tema Tecnologia na Excelência e Eficiência da Gestão Educacional, teve como conferencista o especialista em inovação, autor e 3x TEDx speaker, Arthur Igreja. Em uma apresentação dinâmica e provocadora, ele foi objetivo ao afirmar que a maioria das pessoas confunde inovação com tecnologia.

“Tecnologia é apenas um dos instrumentos da inovação”, resumiu Arthur. Para ele, inovar é mudar o método para obter resultados melhores. O exemplo que mais repercutiu foi simples: o cartaz do cego pedinte. Quando alguém reescreveu a placa de “sou cego, me dê uma esmola” para “hoje está um dia maravilhoso, pena que eu não consigo ver”, as moedas começaram a surgir. “Escreveu a mesma coisa de uma forma diferente”, disse Arthur.

O conferencista abordou o conceito de movimento pendular: tudo que hoje é inovação, amanhã será commodity. Em 1996, ter um site era diferencial; em 2008, ter um aplicativo era inovação. Em 2026, investir em IA (inteligência artificial) é o que se impõe. “Daqui a cinco anos vai soar tão mal quanto falar que você tem um site. Vai ser sobrevivência, não diferencial.”

Para Arthur, a questão mais difícil do momento é: com a IA avançando e assumindo tarefas cognitivas, o que resta de humano, valioso e raro na educação? “Não tenho medo de robô ocupar o espaço do ser humano. O medo que eu tenho é de pessoas fazendo coisas robotizadas pelo resto da vida.” A educação, na visão do especialista, precisará preparar os alunos não apenas para usar ferramentas, mas para exercer aquilo que as ferramentas não conseguem fazer: discernimento, criatividade e conexão humana.

Agenda estratégica

Após o coquetel e o show musical de Jill Reis, com participação especial de Milton Guedes, o XVIII CBESP segue pelos dias 22 e 23 de maio com uma programação com painéis sobre regulação, avaliação, escalabilidade institucional, uso de dados na gestão educacional e políticas públicas para o setor, com a participação dos maiores nomes da educação superior privada no Brasil.

Confira a programação completa aqui