ABMES: políticas públicas estão na contramão da inclusão

/ junho 8, 2019/ XII CBESP/ 0 comments

O painel do último dia da 12ª edição do Congresso Brasileiro da Educação Superior Particular (CBESP) foi pautado pela apresentação de estudos sobre inovação e inclusão no contexto da educação superior. A Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), o Grupo A Educação e a Universia Brasil apresentaram os resultados de levantamentos sobre três aspectos distintos e complementares no contexto educacional: o cenário inclusivo, a revolução das edtechs e a percepção do jovem sobre educação, carreira e futuro.

Uma das primeiras constatações da manhã foi a de que as políticas públicas governamentais estão indo na contramão de um processo inclusivo. Isso porque, embora no Brasil o principal fator de exclusão de jovens da graduação seja a renda, o governo tem agido no sentido de enfraquecer o financiamento estudantil governamental. Em um cenário no qual 75% das matrículas estão concentradas nas instituições particulares, quem pode pagar já está nas universidades. “A desigualdade está principalmente no fator renda, então é preciso ter políticas públicas que venham ao encontro das necessidades desses jovens. Mas o que acontece hoje é que, de um lado, vários candidatos não são contemplados e, de outro, sobram vagas no programa”, ponderou Sólon Caldas, diretor executivo da ABMES.

Outro caminho obrigatório para a promoção de inclusão e diversidade na educação superior é a educação a distância. Por suas características operacionais e financeiras, ela é a modalidade de ensino capaz de absorver as pessoas que se encontram no estoque, já que 77% dos que a escolheram são pessoas das classes C, D e E e com idades a partir de 25 anos.

Edtechs e conectividade
Em 2025, 33% do quadro de colaboradores das instituições de educação superior será composto por pessoas da área de tecnologia. A projeção foi feita pelo Grupo A Educação diante do atual cenário de inovação imposto à todas as áreas da sociedade contemporânea, especialmente para a educação.

Segundo Luiz Filipe Trivelato, as startups voltadas para soluções educacionais já são o sexto maior segmento de atuação dessas empresas que atuam em um nicho no qual a indústria tradicional não dá conta de atuar porque são inovadoras. E, ao contrário do que chegou a ser ventilado no início do processo de digitalização da educação, a tecnologia não serve para tirar horas do professor. “No começo interpretamos como mecanismo de fazer oferta mais barata, mas tem algo atrás da tecnologia que é preparar melhor o aluno para o ambiente de sala de aula”.

Essa conexão entre educação e tecnologia está descrita na pesquisa que a Universia Brasil fez com mais de 5.000 jovens de todas as regiões do país. O levantamento mapeou aspectos como onde os jovens buscam informações e constatou que 73% preferem se informar pelas redes sociais.

Além disso, 68% dos entrevistados são usuários da Netflix, 40% da Uber e 38% do Spotify, empresas que surgiram dentro de nova concepção de produção de conteúdo e de consumo de bens e serviços. Esse é o público com o qual as instituições de educação superior precisam estar preparadas para interagir sob o risco de serem substituídas por novas formas de formação educacional.

Meditação e CNE
A manhã de encerramento da 12ª edição do CBESP foi iniciada com um momento de reflexão e meditação. Conduzida pelo diretor da Sociedade Internacional de Meditação no Rio de Janeiro, Klebér Tani, a palestra abordou sobre como a meditação e o acolhimento podem contribuir para o desenvolvimento da empatia no ambiente acadêmico.

Após serem convidados a refletir sobre como e no que investem suas vidas, todos os congressistas experimentaram por 15 minutos uma dinâmica de iniciação em meditação, o que resultou em energia adicional e relaxamento para absorver e aproveitar os conteúdos abordados na reta final do Congresso.

Na outra ponta, a manhã foi encerrada pela tradicional mesa-redonda composta por conselheiros do Conselho Nacional de Educação (CNE). Antonio de Araújo Freitas Júnior, presidente da Câmara de Educação Superior e Joaquim José Soares Neto, vice-presidente da Câmara de Educação Superior apresentaram a visão do CNE sobre inovação e diversidade nas instituições de educação superior brasileiras.

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