Mais de 4 mil participantes prestigiaram o XIII Congresso Brasileiro de Educação Superior Privada. Especialistas renomados com experiência em educação superior, no Brasil e no exterior, marcaram presença em palestras e workshops ao longo dos dias 27 e 28 de maio.

Em 2021, devido à pandemia provocada pelo novo coronavírus e suas consequências para o setor educacional, as discussões do XIII CBESP foram pautadas pelo tema “Empreendedorismo e Educação Superior: construindo modelos inovadores em tempos de Covid-19”. O trecho da Carta, marca registrada de cada edição do encontro, resume a escolha do tema: “atingidas de pleno pela pandemia, as instituições particulares de educação superior (IES) se adaptaram, mostraram força e espírito empreendedor, não se curvando diante das adversidades e, em trabalho de enorme união sob a bandeira do Fórum, levaram a cabo este importante evento”.

Promovido pelo Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular e pela Linha Direta, o CBESP é reconhecido como o maior congresso do segmento da educação superior do País. De acordo com o secretário executivo do Fórum, Celso Niskier, “foi uma oportunidade única para estimular o empreendedorismo na educação”.

Solenidade de abertura

Niskier destacou a participação do ministro da Educação, Milton Ribeiro, na solenidade de abertura do XIII CBESP. “Ouvimos o ministro defender a educação como atividade essencial, falar da intenção de desburocratizar o Ministério da Educação (MEC) para poder liberar a força empreendedora das IES”.

Também durante a abertura do evento, a presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), professora Maria Helena Guimarães de Castro, argumentou sobre a importância da realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2021 e da promoção de mudanças no processo seletivo. “É preciso adaptar o Exame às novas matrizes da BNCC. A prova atual é um conjunto de conteúdos que não fazem sentido para um Congresso que está discutindo empreendedorismo, temas transversais e competências do século XXI, como criatividade e trabalho em equipe”, afirmou.

Empreendedorismo em pauta

Na sequência do primeiro dia, para melhor situar e estruturar o contexto das discussões, optou-se por iniciar a temática conhecendo e debatendo sobre o que está ocorrendo em âmbito internacional. Para isso, foram abordados cases de enorme representatividade em empreendedorismo na China, em Israel e nos Estados Unidos. Nesse momento, as participações do consultor em educação e inovação, Yaron Edel,o vice-presidente de tecnologias emergentes na Full Sail University, Luis Garcia, e o professor de Direito Internacional da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Evandro Menezes, foram marcantes.

Antes, entretanto, foi apresentada uma abordagem ampla sobre as tecnologias exponenciais e o futuro da educação e do trabalho, trazida para reflexão pelo renomado especialista internacional, o professor e físico teórico Marcelo Gleiser. “As profissões mudam e o ensino precisa mudar antes, para que possa capacitar as profissões futuras”, comentou.

Em seguida, XIII CBESP se direcionou para o debate de cases de grande sucesso de empreendedorismo e inovação desenvolvidos em IES e explorou o aprofundamento nas questões necessárias de se encontrar modelos inovadores de regulação do ensino superior, valorizando a liberdade de atuação e as adequações de normas regulamentares que as apoiem.

Quebrando tabus, o debate avançou para o segundo dia com discussões e sugestões sobre a presença feminina no empreendedorismo. Para dar a oportunidade de embasamento teórico moderno e futurista aos participantes, diversos workshops foram realizados buscando cobrir as áreas mais relevantes do empreendedorismo, desde a articulação da teoria à prática, bem como sobre modelos inovadores de currículos e sobre o ensino híbrido, tão atual e importante neste momento de pandemia, tudo alicerçado no moderno diploma digital.

Em seguida, foram discutidas políticas públicas de valor vital para assegurar que o ensino e as ações empreendedoras tenham adequado escopo legal e estímulos agregadores para que possam dar passos à frente na direção de uma estimulante atmosfera que o nosso país tanto deseja e necessita. Para encerrar, o talk show com a sempre cativante e genuína empresária brasileira Luiza Helena Trajano discutiu, com profundidade, o papel do empreendedorismo e o futuro do Brasil, momento em que se desenhou a moldura final deste importante Congresso.

Carta e síntese

Ao final do evento, além da divulgação da Carta, são definidos dez pontos para guiar as atividades educacionais no contexto atual e no futuro:

1. Valorizar o empreendedorismo, como uma das habilidades do futuro do trabalho, nos currículos da graduação, por meio de projetos, disciplinas, ferramentas e estímulos à formação de empresas “startups”;

2. Liberar o espírito empreendedor dos mantenedores de instituições de educação superior, por meio de incentivos à inovação e da redução da carga regulatória excessiva;

3. Facilitar o compartilhamento de experiências globais bem-sucedidas e a internacionalização das IES brasileiras, especialmente no que se refere aos projetos de estímulo ao empreendedorismo;

4. Aprimorar os atuais modelos regulatórios, dando a eles maior celeridade, reconhecimento da diversidade regional das IES e valorização das formas alternativas de avaliação, incluindo a autoavaliação institucional;

5. Transformar a avaliação em um processo formativo e de aprendizagem com foco no aprimoramento institucional, minimizando o seu caráter meramente punitivo;

6. Adotar, de forma definitiva, a avaliação externa virtual in loco, bem como adotar as novas tecnologias digitais da informação e da comunicação como instrumentos de aprimoramento do processo de avaliação institucional;

7. Abolir a diferenciação entre educação presencial e educação a distância, propondo a adoção do termo “educação mediada por tecnologias” como paradigma para o mundo pós-pandemia, com o consequente processo único de credenciamento e recredenciamento das IES junto ao MEC;

8. Avançar na implantação do diploma digital, dando maior autonomia às IES para que possam registrar e emitir seus próprios diplomas, com requisitos de segurança e transparência;

9. Aproveitar a oportunidade da curricularização da extensão para ampliar a atuação social das IES, em particular com estímulos ao empreendedorismo social dos estudantes;

10. Criar um ambiente propício ao empreendedorismo, à criatividade e à inovação das IES, de forma a permitir que o Brasil supere o momento crítico que vive e que possa progredir na direção de um futuro melhor, com protagonismo do setor educacional na formação da mão de obra necessária para o desenvolvimento social e econômico do país.

LER CARTA DO XIII CBESP NA ÍNTEGRA

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